Author: Maíra
•09:58
Recentemente fui convidada a dar uma entrevista num programa de TV local, junto com um amigo, Joaquim Diegues, cirurgião plástico, para falar sobre um distúrbio que está se tornando, infelizmente, cada vez mais comum. A chamada Dismorfobia Corporal, ou “Feiúra Imaginária”, ou ainda " Síndrome do patinho feio".
Abaixo reproduzo um texto bastante informativo sobre o assunto e incluo os vídeos da entrevista. Incluo também um pequeno teste que pode ajudar no diagnóstico do distúrbio. Se por acaso algum leitor se identificar com as características citadas ou conhecer alguém que se encaixe nesse perfil, por favor, busquem ajuda profissional o mais rápido possível!


Um abraço.


Maíra.


Vítimas da dismorfobia sofrem vivendo uma eterna insatisfação com a própria imagem.
O dado mais claro para mostrar a preocupação excessiva do brasileiro com a aparência é da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica: em 2000, 350 mil pessoas no País se submeteram a operações com finalidade estética. O fenômeno não faz crescer o movimento apenas nos consultórios de cirurgiões plásticos. Psicoterapeutas e psiquiatras que cuidam dos distúrbios relacionados à insatisfação com a forma física vivem, hoje, com agenda lotada.

Além de transtornos como anorexia e bulimia, passam a tratar a dismorfobia, um medo da alteração de alguma parte do corpo. Na maioria dos casos, essa imagem vista no espelho não condiz com o real. O que se vê recebe uma lente de aumento. Por isso, a dismorfobia também é conhecida como feiúra imaginária. "São magros que olham no espelho e se enxergam bem gordos. Ou mesmo gente bastante bonita que só identifica seus defeitos", analisa o psicanalista George Lederman.

Ele revela que uma das causas seria uma falha na construção da identidade, surgida já na infância. "O que cria uma insatisfação constante consigo mesmo. Há uma eterna necessidade de mudança", diz Lederman. Para exemplificar, o mutante Michael Jackson é citado pela psicoterapeuta Alda Batista como o caso mais extremo. "O desconforto com a própria imagem é tanta que o faz mudar o tempo todo. Ele não pode se construir, definindo um papel, porque está sempre se lançando na eterna busca pela forma ideal", explica Alda. "O mais complicado é ser um ídolo para adolescentes. Nessa fase, estamos muito suscetíveis a opinião dos outros. Podem achar que o caminho mais fácil é se modificar com plásticas o que não está achando bom", completa ela.

O que deve ficar claro, de acordo com os especialistas, é que mesmo depois de um procedimento cirúrgico, alguém que sofre com a dismorfobia não fica satisfeito. "Porque não estamos lidando com o real, e sim com uma distorção grave, o que leva a um transtorno compulsivo-obssessivo", observa o psiquiatra Everton Botelho. Quem passa por esse problema, começa a gastar muito tempo no espelho,observando a deformidade que ela considera tão relevante. "Além de analisar demoradamente a falha, há uma obsessão em escondê-la. Se for uma orelha de abano, a pessoa deixa o cabelo crescer, ou até mesmo pára de sair", conta o médico.

A sensação de vergonha e inibição causa um grande impacto no comportamento, podendo limitar a vida social. "Vejo dois caminhos possíves para tratá-la. Um seria a prescrição de anti-depressivos que agem de forma seletiva, aumentando a serotonina", indica Botelho. Quando há alteração dessa substância, o indivíduo estará, fisicamente, predisposto a focalizar sua ansiedade para o corpo. A outra é a psicoterapia."

Utilizando argumentos lógicos, o psicólogo questiona o paciente de onde tirou a idéia sobre a deformidade. "Se há um problema físico, de fato, claro que vai haver a indicação da cirurgia. Quando tudo se passa só na cabeça de quem desenvolveu essa fobia, uso a psicoterapia. Levamos cerca de um ano para trabalhar os significados desses medos com o paciente", argumenta Alda Batista.

Nas sessões de psicoterapia, é trabalhada a identidade, investigando as relações com os pais e alguns traumas originados na infância. "É um processo de percepção da própria identidade, sem um tempo determinado para que ela se complete", finaliza Lederman.

Phelipe Rodrigues



Teste


1.Você se preocupa demais com seu físico?
( ) sim ( ) não

2. Acredita ter alguma parte do corpo “deformada” ou “anormal”?
( ) sim ( ) não

3. Sente-se angustiada com sua suposta feiúra?
( ) sim ( ) não

4. Pequenas imperfeições assumem grande proporção diante do espelho?
( ) sim ( ) não

5. É exageradamente perfeccionista, tímida, ansiosa ou sensível a rejeições?
( ) sim ( ) não

6. Já operou alguma parte do corpo e permaneceu insatisfeita?
( ) sim ( ) não

7. Apresenta enorme constrangimento ou ansiedade se precisa exibir uma região corporal que considera estranha? Ou faz todo o esforço para escondê-la?
( ) sim ( ) não

8. Percebe que é obcecada por sua imagem, mesmo sabendo que, racionalmente, não há razão
para isso?
( ) sim ( ) não



Segundo o cirurgião plástico José de Faria (RJ), que elaborou esse teste, a partir de 4 respostas “sim” há chance de a pessoa ser portadora do transtorno. “Nos quadros mais graves da dismorfobia, provavelmente todas as respostas serão positivas”, conclui ele.

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